16 de dez de 2013

Stella

Estrela queria se esparramar em alguma galáxia. Estava tão triste: sozinha naquele infinito, só desejava explodir e costurava os seus desejos com hidrogênio fulminante. Suspensa na agonia do seu negro vazio, as cadentes rodopiavam estranhas invejas que texturizavam a alma estelar, fosse ela em seus momentos de espectro elevado ou inferior.
Estrela queria um rosto como tinham os majestosos planetas. Estrela havia cansado de produzir sua própria luz: cobiçava, ao menos uma vez, que algum astro luminoso desse o ar da graça. Estrela sabia que deveria ser mais paciente. Concomitantemente, a fluidez do contato com sensações adjacentes à do isolamento era mais veemente do que a velocidade da luz que emanava. Sobrecarga.
Nunca houve música voando pelo indomável vácuo. Estrela produzia melodias visuais: regulando sua intensidade, às vezes até em código morse cantava. Tendo perfeccionado sua arte, o resto de seus dias se esvaiu como fumaça enquanto conjugava graus luminosos em inumeráveis partituras plasmáticas.
Após a fusão que parecia interminável, estrela expandiu. Estrela detonou-se. Estrela sabia de seu valor com mais convicção do que qualquer outro ser: ela tinha valor nulo.

Níkku

5 de ago de 2013

Second Sight

Days getting longer around here, days getting shorter up there. Summer always comes and winter always goes. Would you, by chance, think that it's sad or fortuitous? Everyone's got a different skin to tell it. What my skin that enlaces me tenderly knows is that those black, rounded, coal colored eyes are branded in my memory. They cry a sad and endeavoring song which reaches out and catches only my little right hand finger. The sea, earth and air part us. Are they selfish? Or is it really time who controls our distances and destinies? I'd open a loop hole in time and travel to a moment where nothing else would matter: solely my chest pressing against yours. Sadness drained out of our eyes. Pure bliss filling them up like a moonshine tide. I'd also try creating one more sight: apart from the one I see reality with, one for seeing only you. I would manipulate the second sight just to feel a little closer every time this abyss opens in the shelves of my core. Intertwined in madness and reality, I would sail away to the shores of the sea that is my conscience, bound for freedom.

Níkku

31 de jul de 2013

Distante



Capturando toda a luz, explode ao meu redor a aura.

Comprime-se,
Dilata-se,
Chora.

Apavora-se,
Antecipa-se.

Finge, calcula,
(e o coração só comprime, rompe, deprime).

Em cada fragmento meu te quero diluído:
Do despertar ao adormecer.
Mas, oh!  Por enquanto, está proibido.
“Mais tarde”, disse o tempo com prazer.

Níkku

13 de jun de 2013



Vejo verdadeiras vozes no vento

Como vultos envoltos em vontades.

Esvoaçantes e vis vontades.





Níkku

4 de jun de 2013

Rosa

Defenestremos a vida
À espera de que caia em solo fértil;
Quem sabe nasce uma Rosa.
Ao fim das contas,
Os espinhos não importam.

Nikku

29 de mar de 2013


Faces
Formadas por fetos fáceis de fazer
Fodem e focam o funesto em fases de
LUA

Nikku

18 de mar de 2013



Tão bom

Tão muito um tanto bom

Ver que tanta diversidade

Traduz tantos tragos de poesia.

A poesia, que um dia partia,

Hoje volta em harmonia

No poeta que, pouco antes, não paria.





Nikku