21 de set. de 2015

Espiralar

Desconecta o rosto do meu dorso
Arranca teus olhos de minha pele
Ofereça três, um, quatro abraços ao nada
De mim tão longe rode tuas órbitas absurdas
Não rasgue o que é de papel e sim plástico
Feche teus ossos à voz de chumbo
Não permita que as ondas ressonem no teu cálcio
Endureça, desobedeça, mas saiba
Momento de espiralar LIBERTA

Raízes? 
Que sejam apenas aéreas

Níkku

14 de jul. de 2015

Med dagen

Mesmo distante, estás perto.
Mesmo sem nos falarmos, lembranças não cessam.

E assim tem sido, há anos.
Assim espero que seja, por mais tempos.
Nossas mãos, dedos, falanges, unhas, para desenhar o porvir.
Cores, flores, um frio, um fio de cabelo misto quente-frio.

Felicidades: fotografe-as.

Gratulerer

Níkku

14 de mar. de 2015

Porque...

Porque...

Porque poesia se faz onde o coração grita
Porque admonições encarceram e lacram
E a poesia vem com suas garras majestosas
Lacerando e infligindo qualquer tormento.
Porque dos meus olhos sangram versos de contemplação,
O estado da mente de onde brotou em profusão 
Calmarias, sabores, o não dito, o que não está a postos.
Porque não é preciso estar pronto para fazer poesia
Necessário é só provar (mas quem precisa?) a si mesmo que nunca se estará pronto
Para fazer poesia.

[A ti, sabes bem.]

Feliz dia da poesia.

Níkku

8 de jan. de 2015

Encéfalo

O relógio fez questão
De escalpelar minhas coronárias

Meu sangue, cada vez mais claro
Menos oxigênio

O vento, que antes acalentava,
Faz escorrer gota mais ácida de minha espinha

O suor, mais salgado
A cabeça fustigada num muro

Massa cinzenta que escorre
Brilha com sangue claro
No muro de asfalto

Níkku

6 de jan. de 2015

Ophidia

A palavra mais cobra
(E eu digo cobra pegando o senso comum de ruindade, pois adoro o bicho. Possui uma sedução, um perigo, um tudo!)
Mas a palavra mais cobra
Que silva tanto em sua grafia
É desassossego.
É tanta curva, tanto ‘s’,
Tanto rodopio de emoção!
Os sentimentos sibilam depois que nosso olho entra em contato com os tantos ‘s’ sem sossego;
É quase como se a alma entrasse num andamento em presto.
A tinta rasga os meus olhos ao ver tanto ‘s’ ausente de sossego
E é isso o que, ao final de contas, a tinta faz
Tinge nossos (ou o meu) corações de preto.

Porque sim, eu escolho o preto.

Níkku

18 de jun. de 2014

Ia

Que de nós seria
Se a pura poesia
Não abrisse nosso coração?

Que de nós seria
Se a mais pura poesia
Não nos ensinasse com maestria
A nos perdermos da razão?

Níkku

2 de jun. de 2014

Decolagem



Aprendi que, após muito tempo, toda esta tentativa de guardar mágoa e rancor tem sido fútil. Temos tão pouco tempo na Terra, e se empenharmos o nosso espírito – ou ser – com estes venenos, só temos a perder.
Hoje a minh’alma tenta se vestir de perdão. Ela ensaia expurgar a soberba e o mal alento. Não vale a pena darmos alimento a sensações que ensejam roubar nossa sanidade, nossa integridade – ao menos as que cultivamos sóbrios.
Decidi me limpar deste ódio profundo. Diríamos que me reabilito de algo que engolia com afinco: algo que eu julgava ser meu principal escudo. E foi sim, por um vasto tempo, um bonito e negro escudo. No mais, como pedaço de frágil metal, ele foi enferrujando, sendo corroído. Como necrose, começara a invadir os meus tecidos.
Hoje apareceu-me um demônio – um divino demônio. Ele não me tentou a fazer coisas ruins. Ele, a consciência, me fez mesclar o meu âmago com uma fonte de calmaria, de decisão. Meu peito subiu como aeronave. Tentou aterrissar: foi um pouco fracassado.
  Não apareceu, ao final do expurgo, o yin e yang. Apareceu paciência. Complacência. Um sopro de mudança, música, um aguardo. Aguardo sem retorno. Perdoo e aguardo. Meu corpo soltou o peso, está quase uma pena de águia.

Níkku

29/05/2014

11 de abr. de 2014

Desbravar

Desbravador da alma demoníaca
O que farás de vez em nunca?
Procurarás salvação debaixo das asas de corvos?
Precisas realmente de um salvo conduta?
Por que não apodrecer na melancolia deste crepúsculo?
A fumaça que gira em torno de ti sabe da verdade

Continue desbravando as moléculas do abandono,
Desbravador da alma demoníaca.

Níkku

23 de jan. de 2014

Permissão

Permissão

"Todo ser humano nasce e morre sozinho, não se engane".

Delicie a solidão
Pois ela é o que tens de maior requinte.
Permita que ela flua em teu tecido como adaga flamejante,
Permita que ela tire teu ar como vácuo se formando,
Permita que ela instigue os teus pensamentos mais obscuros e profanos.
Não obstante, permita que ela te encourace da sensibilidade mais fugidia,
Permita que ela te roube de ti mesmo:
De ti e de todos ao teu redor.
Permita.

Níkku

16 de dez. de 2013

Stella

Estrela queria se esparramar em alguma galáxia. Estava tão triste: sozinha naquele infinito, só desejava explodir e costurava os seus desejos com hidrogênio fulminante. Suspensa na agonia do seu negro vazio, as cadentes rodopiavam estranhas invejas que texturizavam a alma estelar, fosse ela em seus momentos de espectro elevado ou inferior.
Estrela queria um rosto como tinham os majestosos planetas. Estrela havia cansado de produzir sua própria luz: cobiçava, ao menos uma vez, que algum astro luminoso desse o ar da graça. Estrela sabia que deveria ser mais paciente. Concomitantemente, a fluidez do contato com sensações adjacentes à do isolamento era mais veemente do que a velocidade da luz que emanava. Sobrecarga.
Nunca houve música voando pelo indomável vácuo. Estrela produzia melodias visuais: regulando sua intensidade, às vezes até em código morse cantava. Tendo perfeccionado sua arte, o resto de seus dias se esvaiu como fumaça enquanto conjugava graus luminosos em inumeráveis partituras plasmáticas.
Após a fusão que parecia interminável, estrela expandiu. Estrela detonou-se. Estrela sabia de seu valor com mais convicção do que qualquer outro ser: ela tinha valor nulo.

Níkku

5 de ago. de 2013

Second Sight

Days getting longer around here, days getting shorter up there. Summer always comes and winter always goes. Would you, by chance, think that it's sad or fortuitous? Everyone's got a different skin to tell it. What my skin that enlaces me tenderly knows is that those black, rounded, coal colored eyes are branded in my memory. They cry a sad and endeavoring song which reaches out and catches only my little right hand finger. The sea, earth and air part us. Are they selfish? Or is it really time who controls our distances and destinies? I'd open a loop hole in time and travel to a moment where nothing else would matter: solely my chest pressing against yours. Sadness drained out of our eyes. Pure bliss filling them up like a moonshine tide. I'd also try creating one more sight: apart from the one I see reality with, one for seeing only you. I would manipulate the second sight just to feel a little closer every time this abyss opens in the shelves of my core. Intertwined in madness and reality, I would sail away to the shores of the sea that is my conscience, bound for freedom.

Níkku

31 de jul. de 2013

Distante



Capturando toda a luz, explode ao meu redor a aura.

Comprime-se,
Dilata-se,
Chora.

Apavora-se,
Antecipa-se.

Finge, calcula,
(e o coração só comprime, rompe, deprime).

Em cada fragmento meu te quero diluído:
Do despertar ao adormecer.
Mas, oh!  Por enquanto, está proibido.
“Mais tarde”, disse o tempo com prazer.

Níkku

13 de jun. de 2013



Vejo verdadeiras vozes no vento

Como vultos envoltos em vontades.

Esvoaçantes e vis vontades.





Níkku

4 de jun. de 2013

Rosa

Defenestremos a vida
À espera de que caia em solo fértil;
Quem sabe nasce uma Rosa.
Ao fim das contas,
Os espinhos não importam.

Nikku

29 de mar. de 2013


Faces
Formadas por fetos fáceis de fazer
Fodem e focam o funesto em fases de
LUA

Nikku

18 de mar. de 2013



Tão bom

Tão muito um tanto bom

Ver que tanta diversidade

Traduz tantos tragos de poesia.

A poesia, que um dia partia,

Hoje volta em harmonia

No poeta que, pouco antes, não paria.





Nikku

5 de dez. de 2012

Bo****


Estava eu divagando mentalmente sobre bocetas, quando nasce uma personagem em minha cabeça. A mulher da boceta torta. Sim, uso o termo “boceta”. Não me importo com porcaria de politicamente correto. Gosto da palavra. É expressiva, gostosa de se pronunciar, impactante, interessante. Boceta. Esqueçam o pudor, esqueçam. Experimentem falar. Bo-ce-ta. Agora dêem um grito. BOCETA. Sussurrem-na. Boceta... Muito bom, pois não? Você aí que não teve coragem de pronunciar a palavra, não sabe como é libertador.
Enfim, a história da mulher da boceta torta, contarei em outra oportunidade.

Nikku

20 de nov. de 2012

Para que não precisemos medir as palavras... lá vem a escrita oculta.

Nikku

18 de nov. de 2012

Linhas

Morbidez bate. Os olhos refletem tudo. Estou me enganando ao anestesiar esta dor com o dia a dia que não desejo? Não deveria entregar-me à fraqueza insana? Seria esta uma forma de provar minha força? Ao ligar o "foda-se"?

O que vivo até agora mascara todos os sentimentos. Horário para isso, remédio para aquilo, comida para melhorar, estudos para passar, textos a escrever...

O meu objeto que mais me causa desespero e desconforto hoje em dia é o despertador. Está mais do que na hora de viver a realidade dentro da fantasia. A fantasia onde não se importar é a melhor forma de resistir a tudo. Daí, vem outro tipo de máscara. E então... vai topar?

Nikku

8 de nov. de 2012

Remembrance

You may think not remembering you
Must be sad.
But I see it completely differently.
'Cause everytime that happens, 
Remembrance always returns
And it's as if I'm discovering something new
Again and again.
And what's new and warms our hearts
Always fascinates in a special way.

I write this to you, Lotte Kestner.

Love from Brazil, 

Nikku