27 de out de 2010

Verde


Era uma menina apressada. Caminhava numa rua com prédios baixos e coloridos. Havia flores em alguns, jardins completos em outros. O céu estava escurecendo (para clarear do outro lado). Tinha um objeto metálico pendurado em seu pescoço, e sua respiração putrefata, invisível e escura soprava suas faces e cabelos negros. A maquiagem borrada remetia a um asfalto em modelagem.
Sentia seus ossos queimarem aos poucos... mesmo que o sol estivesse morrendo (por aquele dia). Olhou para os lados, não via nada que a atraísse. Passou a andar mais, deparando-se com pássaros degolados, tristes folhas ao chão. O céu parecia estar quebrando cada vez mais, e ela só pensava "Não posso parar". Correu mais, e o Ar estava começando a não fazer efeito... o oxigênio ia embora. Seus metais presos aos dedos ficavam cada vez mais gelados, e o Ar condensava ao sair de suas narinas. As árvores olhavam para ela, que cobria aos poucos os olhos com a franja. "Estão me olhando, sei que estão. Não tenho medo. São árvores. Fodam-se." O solo estava ficando claro, e o céu escuro. Aos poucos as cores estavam se invertendo. Negativo. A cabeça começou a doer, e as folhas marrons iniciaram risos em sua direção. A garota ouviu risos e mais risos, até que deu um abafado grito, caindo aos prantos.

"Não chore... estou aqui."

Nikku

19 de out de 2010

Espere!

Você suspira debaixo dos meus sonhos...
Acaricia orelhas, rostos, meus.
Para após dizer que falta... algo.
Falta-me muito, mais notadamente o seu toque.

Cefaléia tortuosa... o ar me falta nos pulmões.
E o que grita é por ausência.
Suspiro até que minha garganta morfe,
e tudo se desmanche num lixeiro pré crematório.
Dói. Sim, dói. Palavras com letras apertadas
Tentam, para conseguir reclamar o que foi (perdido).

Nikku

12 de out de 2010

Vindo


Tenho que libertar-me intensamente por dois segundos só para ver se você se importa. O brinco chegou triste, e conquistou a ti, como sempre fez. Lutei para que não fosse, mas conseguiu ir. Disse adeus com quase mordidas, mandou-se. Restou fazer o que queria. Sanidade perdeu-se, e quando voltou, permanecia o sentimento.

E sabe... eu gosto... de sentir isso. Sentir que as coisas estão tentando, mas não conseguem escapar.

Nikku

7 de out de 2010

Móvel


Foi tudo tão rápido que a respiração alheia ecoava em minha mente... que aqueles olhos verdes alheios giravam em meus pensamentos, que aqueles cabelos fisicamente impossíveis de serem assanhados cobriam os meus sonhos pesad(el)os. Monóxido não acalmava, só matava. Miligramas eram [ex]pelidos e ingeridos.

E o relógio aumentava os passos.

É... talvez isso foi calma.

Nikku

3 de out de 2010

Às vezes desejo não ter um corpo.

Nikku